Poemas do Daniel
terça-feira, 18 de agosto de 2026
o fazem para você
como também o fazem para todos
as árvores do teu nome
florescem no tempo seco
florescem justamente porque sentem a morte a lhes secar a vida
para elas há uma
única resposta possível diante da morte
produzir vida e beleza
ter a coragem de produzir vida é bonito e
fazer beleza é um ato de coragem e
todo ato de coragem é belo
por favor
não confunda coragem
com inconsequência
quando te desejei um nome
desejei a coragem da beleza
diante da eterna ameaça da morte
que assim seja
vô no dia dos pais
que minha rosa do deserto desabrochasse
de todos os dias
justo hoje
quando a acariciamos
conto para ele
como você é legal e querido
porque você está nela
e em mim
e nele
e no tempo
e mesmo assim
sinto por não ter
o seu abraço
mesmo sabendo que
são seus os abraços que posso dar
quinta-feira, 21 de maio de 2026
o terror é imenso
no momento da escrita.
o começo era colo,
abraços, e carinhos.
não mais.
o terror é imenso
por não haver mais braços.
na sequência os passeios,
o cuidado, e a busca na escola.
não mais.
o terror é imenso
por não haver mais zoológicos.
ainda cedo o café-da-manhã,
o escorregar na barriga, e os desenhos.
não mais.
o terror é imenso
por nunca mais haver pães cortados em forma de dedinhos.
(o terror é imenso,
também,
por ter que descobrir se gosto mesmo de pão escuro, ou se o gosto era apenas pelo amor)
depois o balanço,
a corda-do-tarzan, e as brincadeiras na areia.
não mais.
o terro é imenso
por não haver mais quem alcance as cordas presas no teto.
já criança a exploração da oficina,
o carimbo, e o martelo
....
o terror é tanto, que desisto de escrever
paternidade
e produz choro é o mesmo
que irrita o último da alma
faz de mim melhor
na necessidade de encarar
o lixo que habita o que sou
e insiste em emergir da lagoa
sempre que o peito aperta
é um calor que visita o coração
e emana o cheiro de amor
que também é raiva e ânsia
e medo e alegria
e sustos e potências
é o calor do calor feito calor
que prazer ser aquecido
quinta-feira, 20 de novembro de 2025
refluxo.
era descido
e quer voltar.
por que não se vai?
o que mais devo digerir?
fico engasgado, gosto
ruim na boca.
há medo de hálito, mas
ainda mais medo de
que o vômito torne
violência o que, supus,
deveria ser comido/a.
pigarreio. sinto podre a
saliva. queria apenas engolir,
infreno!
será este o problema? engolir
o inferno realmente parece
exagerado.
domingo, 14 de setembro de 2025
primeiríssima infância
porque tem coisa que só o choro
extravasa
porque o choro fortalece o
porque o choro limpa as
porque todo mundo
porque quem não chora é
domingo, 20 de julho de 2025
uma vertigem de madrugada
sexta-feira, 23 de maio de 2025
terça-feira, 22 de abril de 2025
sobre ser fora da casinha
não cabe em mim
porque sou maior
que eu
fico fora dela
sou todos e sou nenhum
sou vários e sou um
há imensidões