domingo, 20 de julho de 2025

uma vertigem de madrugada

vivo num território
povoado de meus demônios.

por muito tempo
entendi-os fantasmas,
mas errava.

são demônios.

não assombram nem gemem,
mas causam ansiedade e pânico.

covarde, nunca lhes perguntei
o que faziam por ali. talvez
não quisesse saber, por 
já estar acostumado.

a questão é que demônios existem,
ensinaram os filmes de terror,
e nem sempre têm o bom senso
de não se demorarem.

e fico, refém desarmado
— já que nunca me deram armas —,
a conviver com meus demônios.

não os quero, e o problema talvez seja
justamente achar que querer muda alguma coisa.
o real não deve nada às expectativas que faço dele,
e os demônios não estão lá só por sempre terem estado.

cumprem uma função.
e eu cumpro a de não os querer.
exercício inútil.

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