terça-feira, 3 de maio de 2016

da pelinha do canto do dedo

paroníquia

e toda a vida pára

não há mais unidade corpórea
não há mais raciocínio
não há mais nada

há apenas
paroníquia


vida
quê terei eu feito para merecer tal desgraça
qual pecado terei eu cometido para tamanha punição)

nem dor
nem incômodo
nem mesmo senciência

há apenas
paroníquia

desconheço carros
desconheço pessoas
desconheço ruas

há apenas
paroníquia

talvez se me arrancasse o dedo fora
talvez se não houvesse mão
talvez se estivesse morto

não haveira apenas
paroníquia

pensamento acalantador

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ora
renata
vamos com calma
trata-se de uma simples paroníquia

sim
que me invade a própria essência de estar vivo
mas
trata-se de uma simples paroníquia

concordo
nem sei mais se existo (não mais penso!)
mas ainda
trata-se de uma simples paroníquia

maldita seja

paroníquia

sábado, 26 de março de 2016

do que sofre o balde em dia de chuva

quê ser isso?
há quanto tempo não me via!

olhos piscam
   e vejo-me sentindo
      coisas
o peito rindo
   a alma chorando

renata?

não
   ainda dorme
mas escuto-a
   iminente

permiti por muito tempo a presença de tampas
basta!

que se-me transborde.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

homem correndo,
sorrindo,
com uma cumbuca de milho cozido na mão.
questão de fome, ou tempo?

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

segunda-feira, 20 de maio de 2013

do dia

me perdoe o grande mestre
mas confesso interpretar o ininterpretável

meus olhos
como se religiosos
fazem com que toda borboleta
seja oração

todo vôo um desejo
toda asa uma alegria
todo pouso um pensar
toda borboleta uma simples prece voada

voada em nome da beleza
da beleza da vida que transforma
que transforma lagartas em borboletas

ora
  grande mestre
é beleza de mais para caber apenas ali (!)
há que se velar o vôo
para que não se lhe exploda a alma
que
sejamos francos
não temos

ao menos não como as têm as borboletas

estúpidas borboletas (!)
como as amo
por serem borboletas

quinta-feira, 7 de março de 2013

da borboleta, da sorte e do humor

OLHA!
uma borboleta.
hoje, o dia é bom.

enquanto isso, milhares de borboletas passam,
sem serem notadas,
por vidas vazias de poesia.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

ora, teria eu morrido,
Renata?

cadê tudo aquilo que gritava e contorcia e pedia e irritava e clamava e saía e chorava e escrevia e sorria e pensava e olhava e batucava e cutucava e

cadê, Renata, cadê?


Você enterrou, cara, nas suas maravilhosas
Nove Disciplinas, cara.
É preciso disciplina, cara.
É preciso disciplina, cara.

É preciso disciplina, cara.
É preciso disciplina, cara.
É preciso disciplina, cara.
É preciso disciplina, cara.
É preciso disciplina, cara.
É preciso disciplina, cara.
É preciso disciplina, cara.



Você se traiu-se-se, cara.



CALA A BOCA!

do sorriso sincero

em uma calçada,
- que não será qualquer para evitar clichesismos,
e porque não existem coisas qualqueres -
andava o dia, distraidamente.

e me surge, por dentro do (s)er-cado
uma criança,
aparentemente espantada com minha passagem.

parei.
sorri.
dei tchau.

a menina sorriu.
deu tchau.

mandei um beijo.

levou a mão à boca.
sorriu profundamente,
contorcendo o troco.

e o calor deste momento já me aquece há uns 20 dias.